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| NOTA 8,5 Bom enredo merecia um melhor desenvolvimento, mas acaba sendo suplantado pelo visual colorido, arrebatador e inovador da obra |
Apesar de o novo mundo, chamado de Dark Lands, ser fantástico, ele está prestes a enfrentar uma brusca mudança e caberá a Helena restaurar a paz do local cujo comando é disputado por duas rainhas (ambas interpretadas por Gina McKee). Então percebemos a influência de outro famoso conto também adaptado para os cinemas, “Alice no País das Maravilhas”, alusões a sua versão original, a mesma que serviu de base para o diretor Tim Burton para seu longa homônimo. A Rainha da Luz está doente e sua saúde depende da Máscara da Ilusão e a jovem, chamada por muitos de princesa, terá que encontrá-la e vai contar com a ajuda do atrapalhado Valentine (Jason Barry), um dos habitantes mascarados do reino. Contudo, a Rainha das Sombras está a postos para atrapalhar os planos, pois deseja reinar soberana e trata de armar um plano para confundir Helena que chega a um ponto que não sabe mais distinguir se o que está vivendo é um sonho ou uma realidade distorcida. Valentine seria como o Coelho Branco da história da curiosa Alice, serve como um guia para a protagonista conhecer as belezas e bizarrices do reino. As rainhas representando o lado do Bem e do Mal são metáforas a Rainha Branca e a Rainha Vermelha respectivamente, isso sem falar nas outras inúmeras referências ao país das maravilhas, como personagens, situações e o apreço pelo avesso. Até foi adicionada uma piada com pantufas em forma de coelho para creditar a inspiração de Gaiman, embora elementos fantásticos, como personagens mascarados e tempo e espaços distorcidos, sejam comuns ao universo do autor. Logo que chega em Dark Lands, Helena é levada até o Primeiro Ministro (também vivido por Rob Brydon) que acredita que ela está portando o talismã que irá restaurar o equilíbrio do reino que na realidade é dividido em duas cidades. Certo dia, uma garota muito parecida com a mais nova visitante veio da Terra das Sombras e foi acolhida na Cidade da Luz. Após uma festa de boas-vindas, a tal princesa desapareceu levando consigo a máscara e desde então a Rainha da Luz está presa a uma cama e sombras e coisas estranhas começaram a surgir na parte do reino onde a felicidade era absoluta. Helena vê a líder doente como a imagem de sua mãe e aceita o desafio de encontrar o artefato mágico como uma maneira de compensar a culpa que sentia pelo sofrimento de Joanne, assim aprendendo como uma decisão aparentemente individual pode interferir em um conjunto.
A trama, em suma, tem conteúdo relevante, sendo um atrativo a mais ficar buscando referências cinematográficas e literárias, mas é certo que em uma primeira apreciação é muito difícil se ater ao enredo com um visual tão chamativo clamando para ser admirado e esmiuçado. Os próprios criadores admitem que a história acabou ficando em segundo plano, assim não seria errado dizer que este é um projeto pessoal de McKean que teve carta branca para deixar sua criatividade fluir. O ponto positivo é que este filme não foi moldado para atender a demanda por experimentações de novas tecnologias, pelo contrário, a opção escolhida foi recorrer a técnicas tradicionais e até consideradas ultrapassadas para criar visuais de personagens e cenários. O resultado nos faz repensar sobre o conceito do que é arcaico. O diretor usa e abusa com brilhantismo de colagens fotográficas, texturas rústicas e cores em tons acobreados e quentes trabalhados em um programa de computador comum para manipulação de imagens. Com orçamento minúsculo, McKean conseguiu efeitos de fazer queixos caírem, como se boa parte do que vemos fosse feito de sucata e recortes de papel. Mesmo utilizando a famosa técnica do chroma key, atores gravados em fundo azul cujas imagens depois são adicionadas sobre cenários digitais, isso não impediu que os atores principais trabalhassem inspirados por figurinos e maquiagens criativos e de estilo teatral. Como se fosse uma mescla do estilo do citado Burton, adepto do gótico e bizarro, e com nítidas referências a arte surrealista de artistas plásticos como Salvador Dalí, Máscara da Ilusão tinha tudo para ser um marco do cinema, uma experiência única, mas infelizmente acabou se tornando uma obra que interessa mais aos adeptos de um cinema alternativo e cult e mais especificamente aos fãs das obras de Gaiman e estudantes e trabalhadores da área de artes e design. A quem não entender nada a primeira vista, salvo seu valor como experimento visual, vale uma conferida duas, três, quantas vezes for necessário, mas é certo que após o impacto causado pelas imagens (algo que demora já que a cada nova sessão nos deparamos com algum detalhe novo) é possível penetrar no enredo com mais facilidade e absorver também sua beleza. Lançado no Brasil direto e discretamente em DVD, a obra foi uma encomenda de um estúdio que desejava resgatar a tradição dos filmes de fantasia infanto-juvenis tão comuns nos anos 80, assim não é de se estranhar a vontade que dá em rever filmes, por exemplo, como A História Sem Fim e Labirinto – A Magia do Tempo.
Aventura - 104 min - 2005




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